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Cultura popular


Jessier Quirino, paraibano de Campina Grande, já conhecido no Nordeste, merece ser conferido tanto quanto poeta como quanto comediante. É espetacular!

Eis um grande artista da cultura popular, expoente contemporâneo
da adorável poesia chamada matuta.

Paisagem de interior


Jessier Quirino


Matuto no mêi da pista
menino chorando nu
rolo de fumo e beiju
colchão de palha listrado
um par de bêbo agarrado
preto véio rezador
jumento jipe e trator
lençol voando estendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Três moleque fedorento
morcegando um caminhão
chapéu de couro e gibão
bodega com surtimento
poeira no pé de vento
tabulêro de cocada
banguela dando risada
das prosa do cantador
buchuda sentindo dor
com o filho quase parido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Bêbo lascando a canela
escorregando na fruta
num batente, uma matuta
areando uma panela
cachorro numa cadela
se livrando das pedrada
ciscador corda e enxada
na mão do agricultor
no jardim, um beija-flor
num pé de planta florido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Mastruz e erva-cidreira
debaixo dum jatobá
menino querendo olhar
as calça da lavadeira
um chiado de porteira
um fole de oito baixo
pitomba boa no cacho
um canário cantador
caminhão de eleitor
com os voto tudo vendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Um motorista cangueiro
um jipe chêi de batata
um balai de alpercata
porca gorda no chiqueiro
um camelô trambiqueiro
avelós e lagartixa
bode véio de barbicha
bisaco de caçador
um vaqueiro aboiador
bodegueiro adormecido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Meninas na cirandinha
um pula corda e um toca
varredeira na fofoca
uma saca de farinha
cacarejo de galinha
novena no mês de maio
vira-lata e papagaio
carroça de amolador
fachada de toda cor
um bruguelim desnutrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Uma jumenta viçando
jumento correndo atrás
um candeeiro de gás
véi na cadeira bufando
radio de pilha tocando
um choriço, um manguzá
um galho de trapiá
carregado de fulô
fogareiro abanador
um matador destemido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Um soldador de panela
debaixo da gameleira
sovaqueira, balinheira
uma maleta amarela
rapariga na janela
casa de taipa e latada
nuvilha dando mijada
na calçada do doutor
toalha no aquarador
um terreiro bem varrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Um forró de pé de serra
fogueira milho e balão
um tum-tum-tum de pilão
um cabritinho que berra
uma manteiga da terra
zoada no mêi da feira
facada na gafieira
matuto respeitador
padre, prefeito e doutor
os home mais entendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.



Tapete vermelho para entrar no meu coração

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Merecia mais.

Tanto tempo.

Imaginação é como uma ponte para que tudo não fique pelo caminho.

Merecia mais.

Era por mil, nas minhas contas, a multiplicação ideal.

Tanto tempo.

O agora é só sinopse.

A lauda que eu guardei para contar nossa história tem linhas demais.

Não queria mentir, então não há palavra.

Sobre você, só tenho o briefing.

Merecia mais.

Diálogos brilhantes não são da vida.

São do delírio.

Cansei do delírio.

Das palavras de papel.

Queria o som das letras saindo da sua garganta.

Ainda que mal construído pela realidade, mas com a firmeza da verdade.

Tanto tempo.

E descobri a injustiça da brevidade.

Esperar por tão pouco.

Merecia mais.

É júbilo, então que não seja tão escuro, tão entorpecido, tão escanteado, tão fortuito, tão incompleto.

Seja meio e não um misto sem jeito de começo com fim.

Tanto tempo.

Merecia mais.

Tem tapete estendido.

E você não passa.

Tem um inverno lá fora.

Mas o céu está azul, profundamente azul.

E eu quero te contar minha história. E ouvir a sua. E propor que façamos delas uma coisa só.

Não mereceria mais e o tempo... o tempo seria apenas o tempo da maturação. Nem seria tanto tempo assim.

Simples assim

o futuro é o chão que vai abrigar sua próxima pegada

Alguém o convenceu que existe amanhã.

Nunca quis acreditar nesta revelação, a rigor tão banal.
Não mais renega o fato que o amanhã é a coisa mais provável da vida.

Está exausto do passado, desapegou de vez do mito do superpresente, esvaziou gavetas e comprou lampiões.

Ele quer tudo clarinho para enxergar o futuro e deixar a dúvida no lado escuro do mundo.

Quer um amanhã e descobrí-lo.

E entender porque nunca esteve disposto ao que vem depois.

Ele quer um amanhã.

Não um amanhã para repetir o hoje.

Um amanhã.

De verdade.

Novinho: nem a luz do dia nem o silêncio da noite jamais foram usados e estão tão íntegros que dá vontade de bulir.

Tem mais vida por vir e não dá medo ou preguiça, o esperar.

O amanhã vem aí e ele não marca encontro porque no encontro perde a própria identidade.

Para conhecer o amanhã, ele já sabe, é preciso caminhar e se resignar.

Se locupletar desta busca e se abastecer de energia.

Lição que lhe ensinaram nos ventos da sobrevivência:

- O amanhã nunca se consuma mas é melhor acreditar nele para dar o próximo passo.

Obrigado, Felipe


Felipe, herói da memorável noite de ontem, vai se encaminhando para ser o camisa 1 do Corinthians-de-Todos-os-tempos

Ele falha, mas ele resolve.

São poucos os goleiros que podemos chamar de craque.

É fantástico que o do meu time seja um.

Duas poesias oportunas

Procura da poesia

Carlos Drummond de Andrade

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo, esse excelente,
completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile,
tua careta de gozo ou dor no escuro são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem,
rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema.
Aceita-o como ele aceitará sua forma
definitiva e concentrada no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Bem no Fundo

(Paulo Leminski)

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.



Lindas e talentosas


A versão de Ana Cañas para "Coração Vagabundo", de Caetano Veloso, é um número de alto gabarito.

Tudo é muito belo ali.
Se for para guardar o mundo, deixe eu guardar um pouquinho de mim aí dentro
Melodia/harmonia, a letra, o novo arranjo, a voz marcante e cheia de sentimento, sem falar no charme incomum desta paulistana de 27 anos, que encarou um clássico de frente e o dominou sem cometer o pecado da obviedade.

O Criador foi generosíssimo com ela e ela está sendo generosíssima com o minguado público da nova MPB.

Aliás, a novela das 7 é uma droga mas pelo menos tem esta pérola na trilha.

Deus abençoe esta geração de cantoras lindas e talentosas (vai aí a fotinha da minha preferida, a deslumbrante Roberta Sá)!
Cantando do jeito que ela canta precisava de tanta brejeirice?

Carta sobre um presente maior


É insubstituível.

Se eu quiser um brinde da vida, o melhor presente, precisarei das suas mãos imprescindíveis.

E também precisarei do seu olhar.

Firme, concentrado, engajado na descoberta do que é maiúsculo e invisível. Sim, eu vou precisar deste olhar tão exclusivo para receber meu maior presente.

Precisarei das suas pernas: elas te levarão aonde eu quero. E quando eu receber meu maior presente, onde eu quero será o lugar onde você quer.

E eu precisarei da sua expectativa e da sua memória.

Da sua audição límpida que identificará em uma nota a partitura completa da verdade. E você estará segura disso, como nunca esteve segura antes.

No instante em que eu receber o maior presente, seu calor será meu, sua respiração dialogará com minha pele e ficaremos minutos nos comunicando umidamente. E não mais bastará seu perfume superficial.

Importa menos usufruir o maior presente, importa mesmo estar convicto de que presentes assim contemplam até uma vida baldia, essa que eu chamo de minha.

Porque o maior presente está à sua altura.

É contigo que ele está, portadora inconsciente!

Sequer é possível roubá-lo.

É possível apenas merecê-lo.

Merecê-lo.

E recebê-lo.

Com uma gratidão que você jamais viu.

Gostamos de listas


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Achei uma besteira incluir as brasileiras, todo caso...

Revista Monet, última edição, publica lista das 100 melhores séries de TV de todos os tempos. Quem não é assinante da NET e não recebe a bendita, pode conferir:



1 - Seinfeld
A série foi exibida entre 1989 e 1998 e ficou conhecida como “o programa sobre o nada”. A idéia era mostrar de onde o humorista Jerry Seinfeld tirava inspiração para suas apresentações

2 - Lost
Os mistérios, as teorias malucas e a paranóia dos fãs chamaram a atenção sobre esse fenômeno dos anos 2000, que narra a história de um grupo de pessoas que sobrevivem a um acidente de avião e ficam perdidas numa ilha

3 - Twin Peaks
O renomado diretor David Lynch levou todo o seu surrealismo à série que tinha como mote “Quem matou Laura Palmer?”. O programa foi esticado devido ao grande sucesso e continuou vivo mesmo após a solução do mistério

4 - Friends
O êxito da comédia foi tamanho que, na última temporada, cada um dos seis atores chegou a faturar US$ 1 milhão por episódio

5 - Família Soprano
A vida íntima de um clã de gângsteres foi retratada por oito anos e arrematou mais de 20 Grammys em diversas categorias

6 - Sex and the City
A série cômica feminina ambientada em Nova York versava sobre quatro amigas bem vestidas e suas desventuras à procura de amor. Ah, claro, e de sexo

7 - 24 Horas
Cada temporada da série mostra os eventos de um período de 24 horas na vida do agente Jack Bauer, que viola direitos humanos sem hesitar para salvar o país

8 - House
Medicina e investigação dão as mãos na série sobre o controverso doutor House, que maltrata subordinados, colegas, chefes e pacientes em sua neurótica busca de cura para as doenças mais esquisitas

9 - Os Simpsons
A família amarela retrata de forma pop e politicamente incorreta a sociedade americana desde 1989, e já é a série mais longeva da História

10 - Agente 86
Era tempo da Guerra Fria, de espionagens e agentes quando Maxwell Smart surgiu para derrubar, com suas trapalhadas, os mitos sobre os serviços de inteligência ocidentais

11 - Armação Ilimitada
O clássico dos anos 80 mostrava os heróis aventureiros Juba e Lula surfando e enfrentando situações inusitadas em companhia do inesquecível Bacana.

12 - Perdidos no Espaço
A história do seriado se passa no futuro. A espaçonave Júpiter II leva a família Robinson ao espaço, para colonizar um planeta em Alfa Centauri.

13 - Arquivo X
As conspirações do governo americano para ocultar a vida de extraterrestre eram o mote da série.

14 - A Feiticeira
Uma esposa resolvia todos os problemas domésticos num passe de mágica - isso bem antes do cartão de crédito.

15 - Jornada nas Estrelas
A bordo na nave estelar Enterprise, a equipe de exploração liderada pelo Capitão Kirk antecipou inventos como o telefone celular e portas automáticas.

16 - Batman
O clima ingênuo e farsesco tem admiradores até hoje. POW!

17 - CSI - Investigação Criminal
Um grupo de cientistas forenses desvenda crimes usando física, química e genética.

18 - A Sete Palmos
Gira em torno de uma família que administra uma funerária em Los Angeles.

19 - Jeannie É um Gênio
Uma loura presa por 2 mil anos numa garrafa pe encontrada por um astronauta perdido é libertada.

20 - As Panteras
Três deusas combatiam o crime comandadas pelo misterioso Charlie Townsend.

21 - MASH
Exibida entre 1972 e 1983, retratou a Gerra da Coréia e mantém até hoje a maior audiência da TV americana para um capítulo final de série.

22 - I Love Lucy
Uma dona de casa ruiva e seu marido escandalizaram os anos 50 com seu humor pastelão.

23 - Heroes
Pessoas normais descobrem ter super-poderes em uma trama bem engedrada

24 - Anos Incríveis
Apresentou questões sociais e eventos históricos do final dos anos 60 e início dos anos 70, vistos através dos olhos do protagonista Kevin Arnold.

25 - Além da Imaginação
Pessoas comuns de repente se viam em situações surreais e horripilantes.

26 - South Park
Palavrões, piadas politicamente incorretas e total falta de pudor deram sucesso aos bonequinhos fofos e mal acabados.


27 - O Túnel do Tempo
Tentava registrar o sonho do homem em se movimentar pelo tempo.

28 - Plantão Médico
No ar desde 1994, a série revelou o galã George Clooney.

29 - Columbo
O esquisitão e avoado detetive tinha de descobrir quem era o culpado. A diferença é que o público já sabia disso desde o começo.

30 - A Gata e o Rato
Um casal de detetives flertava sempre, mas ela sempre fazia charme.

31 - The Office
Com formato de documentário, foi inspirada na série britânica que criou o humor de constrangimento.

32 - The West Wing - Nos Bastidores do Poder
Mostra a Casa Branca numa versão ao mesmo tempo realista e romântica.

33 - Weeds
Uma dona de casa perde o marido e resolve traficar maconha para manter o nível de vida.

34 - Um Amor de Família
A sitcom satirizava as séries sobre a típica família americana.

35 - Segura a Onda
Foi o laboratório de Larry David, que criou posteriormente a série Seinfeld.

36 - Os Normais
Um casal de neuróticos estressados passa por situações hilárias.

37 - Roma
A grandiosidade do Império Romano inspirou a série de maior orçamento da história.

38 - Absolutely Fabulous
Duas amigas freqüentemente bêbadas ou lesadas por drogas lançam olhar ácido sobre o mundo da moda e o desencanto da geração hippie.

39 - Profissão: Perigo
MacGyver entrou para a história como um ex-agente secreto que se livra de qualquer encrenca.

40 - A Grande Família
A sitcom brasileira foi inspirada inicialmente em tipos de Nelson Rodrigues.

41 - Terra de Gigantes
Mostrava luta pela sobrevivência de sete terráqueos perdidos em um planeta de proporções descomunais.

42 - O Homem de Seis Milhões de Dólares
O astronauta Steve Austin ganha próteses biônicas e se transforma em um agente indestrutível.

43 - Desperate housewives
A série mostra belas donas de casa do subúrbio americano.

44 - Mary Tyler Moore
Ela virou ícone americano ao interpretar por sete anos a produtora de TV Mary Richards.

45 - 30 Rock
Alec Baldwin ressussitou pelas mãos da habilidosa roteirista de comédia Tina Fey.

46 - National Kid
O primeiro super-herói japonês serviu como garoto-propaganda para a marca National, atual Panasonic.

47 - CHiPs
Dois patrulheiros perseguiam criminosos e iam à praia.

48 - Uma Família de Outro Mundo
Quatro alienígenas tomam forma de humanos para estudar os hábitos dos habitantes da Terra.

49 - Dois Homens e Meio
Charlie Parker tem sua vida interrompida pela chegada do irmão e do sobrinho.

50 - Beavis and Butt-Head
Cartoon que retratava a adolescência na época do grunge.

51 - Prision Break
Michael Scofield quer escapar de uma cadeia de segurança máxima.

52 - Grey´s Anatomy
A série se passa num hospital, mas o importante são as relações amorosas.

53 - Gilmore Girls - Tal Mãe, Tal Filha
Lorelai se tornou mãe aos 16 anos e enfrentou a barra sozinha, e agora divide problemas com a filha adolescente.

54 - Suspense
Tramas de crime e suspensa apresentadas pelo mestre Alfred Hitchcock.

55 - Miami Vice
Dois detetives lutavam contras as drogas nos anos 80.

56 - O Agente UNCLE
Um espião americano e um russo são retratados em aventuras à la James Bond.

57 - A Ilha da Fantasia
O sr. Roarke recebia em sua ilha hóspedes para tentar realizar seus desejos mais profundos.

58 - Nip/Tuck - Ninguém é Perfeito
Retrata dois cirurgiões plásticos inescrupulosos.

59 - Barrados no Baile
Os gêmeos Brandon e Brenda mudam-se do interior dos EUA para Beverly Hills, e passam por provações desde o colégio até a universidade.

60 - Os Intocáveis
Acompanhava a perseguição do agente Eliot Ness ao mafioso Al Capone.

61 - Law & Order - SVU
Quase igual a original, mas só trata de crimes sexuais.

62 - Ugly Betty
A versão americana da novela colombiana mostra a vida de uma jornalista feia que se apaixona pelo patrão playboy.

63 - CSI: Miami
É a mais bem-sucedida de todos os spin-off de CSI. Incluvive mais que a original.

64 - Law & Order
Cada episódio, um caso de polícia. Sempre começa com o crime e termina no tribunal.

65 - Kojak
O policial Telly Savalas chupava pirulito durante a resolução de seus casos.

66 - Missão: Impossível
É pai da trilogia estrelada por Tom Cruise.

67 - The Office
Criou um novo gênero: a comédia do constrangimento.

68 - Monk
Adrian Monk é um investigador obsessivo-compulsivo.

69 - Inspetor Maigret
A série francesa tinha duração de 90 minutos por episódio, parecia um filme por semana.

70 - TV Pirata
Barbooosa! Precisa falar mais?

71 - That´70s Show
A década de 70 na visão de um grupo de adolescentes.

72 - Os Monkees
Tentaram rivalizar com os Beatles, tarefa difícil, mas tempos depois a narrativa foi considerada inovadora.

73 - Monthy Python´s Flying Circus
O mais importante grupo de comediantes do mundo surgiu, quem diria, na Ingleterra.

74 - Carga Pesada
Os caminhoneiros Pedro e Bino encaram situações adversas e engraçasas pelas estradas do Brasil.

75 - Bonanza
Narrava a saga da família Cartwright, no primeiro faroeste em cores da TV.

76 - Will & Grace
Will é gay e divide o apartamento com a amiga solteira Grace.

77 - Magnum
Tom Selleck interpretava o detetive bom vivant Thomas Magnum.

78 - Tudo em Família
Adaptação bem-sucedida da série britânica ´Til Death Do Us Apart.

79 - Dawson´s Creek
Com roteiro leve, tratava de problemas adolescentes. Projetou a atriz Katie Holmes, atualmente casada com Tom Cruise.

80 - Kung Fu
Mistura de faroeste e arte oriental.

81 - CSI: NY
Spin-off de CSI, numa cidade diferente.

82 - As Aventuras de Rin Tin Tin
Faroeste infantil que trazia o menino Rusty e o famoso cachorro.

83 - A Família Trapo
Tinha no elenco Ronald Golias, na pele de seu mais célebre personagem, Carlos Bronco Dinossauro.

84 - Sanford and Son
A série deu fama a Fred Sanford, o rei das piadas “one-liners”, aquelas rápidas, entregues em uma frase.

85 - Cilada
Qualquer situação pode se transformar em uma cilada para Bruno.

86 - Vigilante Rodoviário
O policial Carlos e seu pastor alemão Lobo patrulham a rodovia Anhangüera.

87 - The 4400
A vida de 4.400 pessoas muda depois de ser abduzidos por ETs.

88 - Anjos da Lei
Policiais à paisana se infiltram em escolas para combater o crime.

89 - Caindo na Real
Jovem viúvo faz o possível para manter sua família unida.

90 - Família Addams
Gómez e Morticia formam o casal central de uma excêntrica família.

91 - Futurama
Um entregador de pizza é congelado em 1999 e acorda mil anos depois.

92 - Havaí 5-0
Acompanha o trabalho de uma equipe de policiais em Honolulu.

93 - James West
Um superespião em pleno Velho Oeste.

94 - My Name is Earl
Um fracassado aprende o que é karma e resolve fazer o bem.

95 - Scrubs
Um medico-residente vive situações surreais no hospital.

96 - S.W.A.T.
Narra as aventuras de um esquadrão especial contra o crime.

97 - Nanny
Uma vendedora de cosméticos se transforma em babá.

98 - O Bem Amado
Derivou da telenovela homônima e contava as desventuras do prefeito Odorico Paraguaçu.

99 - Esquadrão Classe A
Os mercenários eram liderados pelo coronel Hannibal Smith e B.A.(Mr. T).

100 - Casal 20
Um casal de ricaços investiga crimes por hobby.


A sábia

Entre as dores do Caso Isabella, da dengue letal, do amontoado de corpos na Coréia carioca, dos números econômicos brilhantes do Brasil Grande de Novo, entre clips com garotas de panturrilhas tatuadas, na montanha de informação que despejam sobre mim e que eu bovinamente consumo com gula desesperada, entre camisas roxas, ingrids agonizantes, entre keanes e adeles que não enjoam nunca e cujos cantos introjetam enzimas que não me deixam morrer, entre todos os olhares indiferentes à minha volta, entre obamas, dilmas e cristinas, eu ganhei um brilho nos olhos, ganhei uma lição, uma sócia no mundo.

E foi na página do mesmo jornal, da mesma vitrine tétrica da nossa era.

***

O Estado de S.Paulo, a melhor publicação diária em português, no Caderno 2 (produzido, aliás, por um time dos sonhos do jornalismo), deu meia página à estréia de O Caminho para Meca, peça protagonizada por Cleyde Yaconis, glória da arte dramática. Material soberbo de Beth Néspoli.

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E lá, na página cinco da edição de hoje, há algo de muito especial.

Uma entrevista de alguém que merece falar e que merece toda a reverência. A gente nunca mais vai esquecer.

São desta senhora de 84 anos, as sábias palavras de quem soube envelhecer com a dignidade dos felizes e com o discernimento de uma grande artista.

“O que me motiva a cada trabalho é, principalmente, o que eu posso dizer e doar aos outros: a chance de conhecer um bom texto. Claro que se pode lê-lo, mas não é a mesma coisa. O teatro só acontece quando sai da palavra e se transforma em gente. Dar vida a personagens é um dom e eu não posso me omitir de exercitá-lo.”

“Eu acredito que todos nós estamos ligados por uma energia cósmica. Acho que todos nós temos obrigação de cuidar e manter a energia que liga os átomos, que liga as moléculas, que nos liga a todos. Acredito piamente que sou uma peça num todo e que se eu falhar, vou desequilibrar a energia que liga todo o universo. Temos um compromisso com o mundo que vivemos, o de ousar defender e divulgar as idéias nas quais acreditamos.”

“Eu odeio a palavra adrenalina. Tenho arrepios ao ver crianças de joelheira e capacete. Não entendo porque uma criança precisa brincar arriscando o dom precioso da vida. Sinto falta de uma educação familiar. Sinto falta de permanência nos relacionamentos. O mundo está veloz e superficial. (...) Sou uma mulher feliz porque andei a pé pelas ruas da cidade,de madrugada na saída dos ensaios, peguei bonde, vivi um tempo em se fruía o tempo e se valorizava o dom da vida.”

Dom Diego

Chegou a hora da fera hibernar

O Diego Prazeres é um dos caras mais corretos que já conheci. Seu PIB ético é maior que o da soma de todos os vereadores que passaram pela Câmara de Londrina nos últimos 20 anos.

É também o maior torcedor do LEC - pelo menos entre os que eu conheço. Paixão que vale por uma arquibancada lotada do VGD.

O rapaz tem idéias avançadas, é dotado de visão global no assunto, conhece a nova ordem do futebol, armazena conhecimentos sólidos sobre a história deste portentoso clube azul, que já acabou uma temporada na quarta colocação no então certame mais difícil do mundo.

Outros predicados habitam Prazeres: ama com ardor a terra que chama de sua, vibra quando enxerga o vermelho em seus pés.

Pelo Tubarão, perde humor até em Quizomba, festa de samba transpirante com cabrochas uelinas irresistíveis.

Não consigo imaginar o mal que o silêncio vindo lá do Café provoca nele. É só um silêncio, duro feito o cimento das arquibancadas. Mas até o silêncio murmura com tantas feridas.

E eu fico aqui com meus planos.

Ganhar sozinho na Megasena acumulada, colocar uns milhões no LEC, nomear ex-craques como diretores e colocar o Diego de manager.

Não sei se é mais difícil eu ganhar a bolada ou ele aceitar o convite.

As soluções para o Londrina parecem mais um delírio.

%%%

Enquanto não ganhar na loteria e o Diego não desfilar sua competência sob as arquibancadas do VGD, eu acredito que chegou a hora da mais dura decisão.

Licenciar o futebol profissional, buscar as soluções de médio prazo sem a concorrência das demandas imediatas que sempre consumiram todas as energias do Tubarão. Parar, planejar, implementar soluções realistas mas modernas, criativas. Se isso não passar de teoria, então fecha, tranca a porta, vivamos de fotos e vídeos. Curtamos a eternidade de uma paixão.

Não faz sentido manter a bola rolando apenas em nome da tradição e da honra. Os últimos resultados estupram as duas coisas. Mandar todos ao limbo, a começar pelo presidente e diretores (passando por comissão e jogadores), é imprescindível.

Chegou a hora da maturidade e dos torcedores de bom senso entenderem que, com a continuidade inútil, apenas alimenta-se uma fraude que tem custado caro.

O Atlético que se foda!

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Prestigiar o Tubarão é quase sempre alguma coisa classificável entre o masoquismo e a obstinação.

Na verdade, torcer para um time assim, hoje tão pequenino, é como acreditar em uma utopia.

É correr o doce risco de ser absolutamente surpreendido por algo grande e bonito. É isso que me leva ao estádio. Nada mais que isso: a possibilidade de viver a glória da vitória improvável.

Mas o LEC não é de mentirinha, não agüenta o peso da fantasia.

Existe. E tudo o que existe, existe para decepcionar os portadores da esperança patológica.

E a gente vai levando, achando que a noite de decepção pode, quem sabe um dia, não se repetir.

Pois ontem foi uma noite normal e o Coxa deu um vareio e o vexatório onze alviceleste parecia mais uma vez subalimentado.

O que irrita mesmo um londrinense de coração - protótipo em geral altivo e acostumado a estar por cima da carne seca em muitos rankings - são os flagrantes de inferioridade e sua conseqüente subserviência.

Não é tolerável ver tantas camisas do Atlético (um clube modesto no cenário nacional, pouco respeitado no Eixo RJ-SP) no Estádio do Café. Tampouco, dá para suportar aquela infame versãozinha do detestável Pink Floyd sendo entoada pela Falange Azul.

Parecem uns bobocas cantando o que a gangue maior ordena.

Muito triste esta parceria Falange Azul e Fanáticos.

Nós odiamos curitibanos, não faz nenhum sentido se aliar a algum grupo da capital para forjar uma identidade.

Historicamente, somos rivais do Atlético, do Coritiba, e este é um pressuposto sagrado. Gostamos de ganhar dos times da capital, seja qual for. É a graça do Estadual.

A rivalidade nos faz bem, nos nutre para continuar existindo como clube e torcida.

Sem essa de torcidas irmãs.

O Atlético que se foda!





Rubem Braga

Fico imaginando o privilégio de alguém ler o texto abaixo ainda fresquinho, com o sol batendo no jornal naquela manhã dos anos dourados.

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A moça

Líamos juntos um poema de Vinicius de Moraes. Esbarraste na palavra "báratro" e pronunciaste "barátro", perguntando: "o que é?" Eu corrigi tua pronúncia, mas não soube explicar o sentido exato: "é alguma coisa como oceano ou labirinto...Vamos ver no dicionário".
Era abismo, precipício, inferno. E rimos muito.
Depois eu te ensinei a teoria de dormir na rede, e te emprestei a palavra "ruivas" para ficar no teu poema no lugar de "fulvas". (Tratava-se de formigas).
Então eu te levei ao Arpoador e subimos até o alto. E te ofereci num gesto largo todo o oceano suas ilhas e todo o céu com seus ventos; porém, estavas triste; digna e triste como olvidada princesa belga.
E me disseste: "sou o anjo duvidoso". E eu disse: "que és anjo não tenho dúvida alguma, está na cara; mas duvidoso, talvez".
Bebias muita água; e trincavam nos dentes a pastilha da felicidade, invenção americana. Eu recusei: "não; é verdade que estou meio triste, mas não tem importância, é uma tristezinha maneira; vou tocando assim mesmo".
E fomos tocando pela tarde e pela noite, de um lado e outro, como se estivéssemos procurando uma pessoa amiga, uma pessoa que procurávamos há tanto tempo que já havíamos esquecido quem era mesmo. E não tinha importância. De repente ficaste mais amiga e me contaste coisas amargas. Eu mirei tua boca, teus olhos e tua testa com um profundo respeito.


Rio, junho, 1956

Ai de ti, Copacabana (Rubem Braga)

O domingo não acabou

Acho que o Flamengo usou o dinheiro que iria contratar Ronaldo para contratar Marcelo de Lima Henrique, o árbitro-criminoso que esculhambou o Botafogo ontem, marcando o pênalti mais absurdo da história do Maracanã e expulsando o inocente Zé Carlos. Bebeto de Freitas, um dos presidentes de clube mais sérios do futebol brasileiro, chora com razão e não merece isso.

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Imagino que alguém da cúpula da Globo assistiu à transmissão do Oscar ontem. E imagino que pelo menos alguém que importe deve ter visto a total incapacidade de José Wilker comentar qualquer coisa sobre cinema. É picareta a olho nu. Que em 2009 ele não esteja lá e que os telespectadores não passem pelo mesmo constrangimento.

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Sempre tive aversão a musicais. Acho sempre muito fake, over. Via de regra, os números cantados quebram a narrativa dramatúrgica e, ao invés de emocionar, esfriam a história. Accross the Universe mudou minha opinião. Nas lindas canções de John e Paul, a emoção jorra e o filme ganha um charme incrível.
É tudo muito mágico e envolvente. Mas nem precisava. Apenas Evan Rachel Wood, a supergata Lucy, já valeria o ingresso.

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A australiana Poppy Montgomery, a Samantha Spade de Desaparecidos, é outra que sempre vale o ingresso. Aliás, de graça, nas madrugas de segunda no SBT.


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Quem disse que com Zé Elias seria diferente?

Mente quem diz a verdade

O promissor Barack Obama disse que aguarda o dia em que os presos políticos cubanos sejam soltos.

Ele quer que isso aconteça o mais rapidamente possível.

O gancho foi a renúncia de Fidel Castro e o suposto ajuste que o regime deve sofrer ainda este ano.

O objetivo da declaração foi conseguir ganhar votos dos hispânicos, especialmente os dos horrendos e influentes contra-revolucionários de Miami - escumalha formada a partir de uma desoladora matriz: assassinos, assaltantes, estupradores, rufiões, entreguistas deslumbrados, colaboracionistas do sanguinário Fugêncio Batista, prostitutas, coronéis do interior e pequenos burgueses alienados.

É que os cucarachas que não votam em políticos negros levaram à América este racismo velado e mais perverso, o qual conhecemos tão bem.

Os não-wasp brigam pela preferência nas políticas sociais e volta e meia divergem. Por vezes, demonstram que se odeiam, caso dos confrontos constantes de gangues das duas minorias em Los Angeles.

O bandejão que é a América não é para políticos amadores.

Obama desfila na corda bamba com desenvoltura e já sabe mentir dizendo a verdade.

Ele é o futuro presidente dos EUA e devemos prestar atenção no que ele diz.

E no que ele não diz.

Porque é uma falácia esta preocupação dos norte-americanos com a situação dos direitos humanos na ilha.

Guantânamo está lá, comprova isso.

É a porção de território mais cruel de Cuba.

E os EUA - democrata ou republicano - passaram know-how para todos os torturadores atuantes nas ditaduras que assolaram a América do Sal no século passado.

E se direitos humanos fossem mesmo uma preocupação dos nossos irmãos iluministas, a China não estaria deitando e rolando em seus porões, censurando blogs, amordaçando a oposição, executando no atacado, enquanto se prepara angelicalmente para os Jogos Olímpicos.

Americano só gosta de dinheiro, não tem preocupação com direitos humanos.

Na verdade, a Casa Branca quer um segundo Porto Rico para instalar fast food, vender bebida, carro, gasolina, fertilizante, aço e filmes de ação.

Do outro lado do mundo, eles fazem tudo isso e nem ligam para os cérebros encarcerados e para as famílias amputadas.

Enquanto o Partido Comunista Chinês financiar o déficit do Tio Sam, pode torturar e matar à vontade.

Cuba não pode porque é pobrezinha e a escumalha de Miami quer voltar à saquear a ilha, transformar, de novo, Havana em prostíbulo e cassino.

Semana Pierrot no Esporte (ou os afortunados também choram)

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