passageiras agonias

A ladra

Sou maloqueiro, corinthiano (prefiro assim, com h) e sofredor.

Quem me conhece, sabe.

É uma certa opção pela anarquia e pela paixão inconseqüente que só quem é corinthiano que entende. Quem não é, chupa o dedo e sente inveja.

Mas o DNA mosqueteiro não me tira a liberdade de nada.

A liberdade de fazer qualquer tudo ou de não fazer qualquer nada também funciona como um timão na minha vida.

É quase uma renúncia à todas as outras possibilidades de conquista e significado.

Havia uma época que eu buscava curtir o amor mas aí a roda-viva disse "aqui não, violão" e eu sosseguei. Não é pra mim.

Agora eu curto mesmo meu conceito, assim tão particular, de liberdade.

***
Ontem me dei a liberdade de ser botafoguense.

Sempre tive uma acentuada queda pelo Glorioso.

Não sou um torcedor mas um simpatizante bem entusiasta. Assim como tenho um especial simpatia pelo londrino Arsenal (não esqueço de Bergkamp e seu jogo mágico). Sem contar, o Tubarão, meu time de estádio.

Quem gosta de futebol sabe bem a tênue diferença entre o time principal e os segundos times. Quando a bola rola, a tal diferença é quase imperceptível.

Lembro que, adolescente, não parava mais de pular naquele gol do Maurício contra o Flamengo. Não foi um gol, foi bem mais que isso. Foi uma libertação, uma lei áurea. Passei alguns meses sob efeito daquele gol que o Maurício, um negão espigado, se esticou todo para fazer e quase matar a gente do coração.

Gostava até do Mazolinha e do Paulinho Criciúma narrados pelo Paulo Stein. E o já decadente futebol carioca me distraia na era pré-Neto.

Não era um timaço mas era um onze carismático. Humilde, com uma disposição comovente. Enfim, tinha o algo mais que combina com o Botafogo.

***

Faz uns três meses que me alertaram. "Assista este Botafogo: é um timaço".

Acompanhei alguns jogos e me convenci de que o fogão pilotado pelo mestre-Cuca era sim um time diferente.

Do meio-campo pra frente, quando resolvem jogar, Túlio, Lúcio Flávio, Zé Roberto e Dodô gastam a bola. Um jogo plástico e ofensivo que enche os olhos. Um toque de bola que já não existe mais.

***

Ontem gostaria de ter ido ao Maracanã. Mas como dizem lá em Jacarepaguá, o maior-do-mundo é longe pra caramba.

Na TV, vi a exibição de gala.

Um massacre em 45 minutos. O saldo foi de apenas 2 a 0.

No segundo tempo, o time cansou - qual não cansaria?

E o jovem e medíocre time de Mário Sérgio (que aliás só gosta de time medíocre, afinal a estrela é ele. Lembra do Baré?) conseguiu reduzir a diferença de volume, que no primeiro tempo havia sido gritante.

No final, um doído 3 a 1 que me fez pensar em fechar a janela - tudo estava tão gelado!

É mas a janela já estava fechada.

E até agora eu não sei por onde passou a injustiça.

A porta também estava fechada.

***

Concordo com o Montenegro, inclusive com o tom usado na coletiva depois do jogo.

Não era só desolação não.

Era uma raiva danada.

Do próprio futebol - agora ganha quem leva menos frango é? - e da desastrosa, absurda e revoltante participação da senhorita Ana Paula de Oliveira, bandeirinha de meia-tigela, que mereceu as 60 mil vozes chamando ela de piranha.

Uma ladra que deveria ser banida do futebol. Já estou farto da ruindade dela e deveria haver um abaixo-assinado com milhões de assinaturas para que ela vá empunhar qualquer coisa, menos uma bandeirinha de arbitragem.

Dois gols legítimos anulados é uma barbaridade.

Ela merece perseguição eterna dos botafoguenses, igual a do Islã contra Rushdie.

Ligações para a casa dela com toda sorte de impropérios. Ela merece, diria o Chacrinha.

Assim como o ignominioso goleiro Júlio César.

O frango é um direito do goleiro mas ontem foi demais.

E o pior é que ele já tinha falhado contra o Flamengo.

***

É como dizem por aí.

Tem coisas que só acontecem ao Botafogo.

Publicado em 24 de maio de 2007 às 16:04 por playmobil

Comentários

    • putz playmobil, também assisti boa parte do jogo, em intervalos zapeando para o jogo do fluminense e o jogo do santos. não é a primeira cagada dessa bandeirinha. ela tinha que apitar jogo de mulher!!! uma vez num jogo do corinthians, ela voltou atrás (por pressão) e anulou um gol do Tevez... péssima. o fogão foi injustiçado.
    • por marciao
    • 24.Mai.2007 às 16:15 - Permalink - Reportar
    marciao
    • E que GOL do Tevez! E ainda contra o Palmeiras...E a sem-noção tá aí, aprontando até contra carioca em Maracanã lotado.
    • por playmobil
    • 24.Mai.2007 às 16:20 - Permalink - Reportar
    playmobil
    • Eu ia escrever um texto sobre a bandeirinha no fim do dia, mas vai ficar este comentário (gigante, acrescento depois de terminar). Também gosto do Botafogo, mas um pouco menos do que você. Ontem, não acompanhei essa partida porque a A-3 me tomou a noite. Mas sempre achei que essa bandeira merece uma surra de pau mole. Ela foi afastada agora à tarde por tempo indeterminado, devido às cagadas. Tarde, creio eu. Ela é muito gostosa, mas horrível com o pau da bandeira na mão. É daquelas que passa 90 minutos bem-jogados dizendo, “bege, o teto é bege...”. Ela erra a torto e a direito e eu ainda queria entender o porquê do constante favorecimento aos bâmbis – devem ter o mesmo fornecedor de maquilagem.
      Ela já errou contra o Santos, Corinthians (duas vezes), Palmeiras, Botafogo... Por muito menos, tem juiz e bandeira virando quarto-árbitro. Ela não. Ela é gostosa.
      Antes de um bando de feministas aparecerem para falar merda, tem duas bandeirinhas (uma loira coxuda e uma feinha) bem melhores que ela. Nenhuma das duas é escalada para jogos de destaque. Já ela sempre aparece nas partidas televisionadas, em clássicos, e não tem qualidade para isso – a Sílvia Regina também não tinha e, como não era boa fisicamente, desistiram dela.
      Certo dia, cobri América e Ituano. Não costumo ficar nas cabines de imprensa porque jornalista é tudo chato – exceção em Mirassol, onde fico na cabine porque servem salgadinhos. Estava eu sentado no segundo degrau da arquibancada, ou seja, na beira do campo. Bem atrás dela. Coxuda mesmo, mas feia para o meu gosto. Primeiro tempo. Um meia do América chuta a bola nas pernas do adversário para ganhar o escanteio. Porém, a bandeira marca tiro de meta. Revolta geral, era um escanteio claro. Eu ri, de tão ridículo. O juiz chamou a responsabilidade e marcou o escanteio. Com a mão no peito, olhou para ela com a maior cara de amante latino, sorrisinho safado, e disse algo como “eu vi por outro ângulo, pode deixar” - dali dava quase para ouvir, mas vamos dizer que eu li os lábios do peão, mesmo. Ela tentou argumentar e foi mudando a direção do braço para a bandeira de escanteio. Na segunda etapa, ela cuidava do ataque do Ituano. Pelo menos duas vezes não marcou impedimentos. Os ataques não deram em nada. Só deu para ver que ela é péssima bandeira – como se faltassem provas.
      Desse jogo, ficou a impressão de que ela não deve ouvir bronca nunca. Que todo mundo é condescendente com gostosas eu sempre soube. Mas fico imaginado se a comissão de arbitragem resolve pedir a opinião do juiz naquele dia. “Não, nenhum problema. Aqueles foram erros bobos e não comprometeram, né, querida? [abraço na bandeira e bitoca no rosto dela]” - não, não estou falando que ela dá algo em troca e sim que nem ao menos é necessário.
    • por fabebum, texto de arquivo
    • 24.Mai.2007 às 17:07 - Permalink - Reportar
    fabebum, texto de arquivo
    • Passageiro, bom texto. Grandiloquente e, como tal, mentiroso. No bom sentido, é claro, porque, todos sabemos, de má-fé você não tem nada. Mas anarquia, ou sentimento anárquico, não é próprio do teu time - nisso, você errou de Parque. Porque corintiano, sem h, defende com unhas e dentes o Mundial de 2000. E palmeirense vomita no de 1951 - que foi bem melhor que o Torneio de Verão. Enfim, tudo isso é só para te mandar um abraço e manifestar saudades dos tempos de risadas homéricas nos balcões do BB por conta do nosso futebór. E para avisar que, se você de fato conseguir tirar a bandeirinha das mãos da Ana Paula, e se precisar substituir por outro instrumento, lembre-se do papai aqui.
      Abraços esmeraldinos.
    • por Fischer
    • 25.Mai.2007 às 15:16 - Permalink - Reportar
    Fischer
    • Fiquei bastante satisfeito com a eliminação do Botafogo, principalmente porque teve mão grande. Esses times vagabundos do Rio sempre são ajudados pela arbitragem – é só lembrar da final do Brasileiro de 95, aquela esquisita partida entre Flamengo e Atlético Mineiro na Libertadores de 81, o segundo jogo entre o próprio Botafogo e o Galo na Copa do Brasil deste ano... Não é muita coincidência que, desde que começou o sistema por pontos corridos no Brasileiro, nenhum time do Rio conseguiu chegar à Libertadores através do Brasileirão? É que em torneio de pontos corridos não dá para a arbitragem roubar no campeonato inteiro...
    • por o botafogo que se foda
    • 25.Mai.2007 às 16:06 - Permalink - Reportar
    o botafogo que se foda
    • Que conversinha de macho subdesenvolvida é essa, rapa?
    • por eu gosto é de balé
    • 25.Mai.2007 às 18:16 - Permalink - Reportar
    eu gosto é de balé
Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

captcha

Digite os caracteres da figura acima. Temos que fazer isso para evitar spam.

Ainda não é cadastrado? Cadastre-se agora!