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Friday, October 26, 2007
Cine Lista
Semana inglesa acaba, vida que segue.

Ontem, lembrei que talvez tenha visto durante esta semana dois filmes nacionais marcantes, consolidando minha opinião sobre a produção cinematográfica brasileira contemporânea.
Sem analisar aspectos políticos da política cultural e, conseqüentemente, as dificuldades inerentes em se produzir e comercializar arte na aldeia global, atento apenas a relevância das obras, arrisco dizer que estamos em um bom momento, com crescente número de eventos e consolidado um público cativo, ainda que reduzido, é verdade.
Penso que as pessoas que fazem cinema estão cumprindo o ingrato papel de mostrar o espelho para o Brasil.
Com os filmes é mais fácil entender a complexidade deste país, que de tão grande, parece um planeta - atrasado, exuberante, poluído de miséria, cordial, sanguinário.
Como já se sabe, este blog gosta de listas e publico uma, que fiz para consumo doméstico, depois de matutar sobre o tamanho da força de O Cheiro do Ralo e Tropa de Elite (como o filme cresce no cinema!). Eles entraram fácil entre os 20 melhores dos últimos quinze anos.
Eis o exercício de subjetivismo:
(1993-2007)
1- Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)
2- Central do Brasil (Walter Salles, 1998)
3- Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)
4-Terra Estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas, 1996)
5-O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia, 2007)
6-Ônibus 174 (José Padilha, 2001)
7-A Máquina (João Falcão, 2006)
8-O Ano que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hambúrguer, 2006)
9- Edifício Master (Eduardo Coutinho
10-Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
11-Cidade Baixa (Sérgio Machado, 2005)
12-O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2000)
13-Cinema, Urubus e Aspirinas (Marcelo Gomes, 2005)
14-O Céu de Suely (Karim Aïnouz, 2006)
15-Janela da Alma (João Jardim, 2001)
16-Boleiros (Ugo Giorgetti, 1997)
17-O Homem do Ano (José Henrique Fonseca, 2003)
18-Eu me lembro (Edgard Navarro, 2006)
19-Quase Dois Irmãos (Lúcia Murat, 2004)
20-Sábado (Ugo Giorgetti, 1995)
É uma pena que não tenha visto filmes como Santiago (João Moreira Salles, 2007), Proibido Proibir (Jorge Duran, 2006), O Baile Perfumado (Paulo Caldas e Lírio Ferreira, 2006), Abril Despedaçado (Walter Salles, 1996), Nós que aqui estamos e por vós esperamos (Marcelo Marzagão, 1998) entre outros que poderiam estar nesta lista.

Ontem, lembrei que talvez tenha visto durante esta semana dois filmes nacionais marcantes, consolidando minha opinião sobre a produção cinematográfica brasileira contemporânea.
Sem analisar aspectos políticos da política cultural e, conseqüentemente, as dificuldades inerentes em se produzir e comercializar arte na aldeia global, atento apenas a relevância das obras, arrisco dizer que estamos em um bom momento, com crescente número de eventos e consolidado um público cativo, ainda que reduzido, é verdade.
Penso que as pessoas que fazem cinema estão cumprindo o ingrato papel de mostrar o espelho para o Brasil.
Com os filmes é mais fácil entender a complexidade deste país, que de tão grande, parece um planeta - atrasado, exuberante, poluído de miséria, cordial, sanguinário.
Como já se sabe, este blog gosta de listas e publico uma, que fiz para consumo doméstico, depois de matutar sobre o tamanho da força de O Cheiro do Ralo e Tropa de Elite (como o filme cresce no cinema!). Eles entraram fácil entre os 20 melhores dos últimos quinze anos.
Eis o exercício de subjetivismo:
(1993-2007)
1- Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)
2- Central do Brasil (Walter Salles, 1998)
3- Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)
4-Terra Estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas, 1996)
5-O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia, 2007)
6-Ônibus 174 (José Padilha, 2001)
7-A Máquina (João Falcão, 2006)
8-O Ano que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hambúrguer, 2006)
9- Edifício Master (Eduardo Coutinho
10-Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
11-Cidade Baixa (Sérgio Machado, 2005)
12-O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2000)
13-Cinema, Urubus e Aspirinas (Marcelo Gomes, 2005)
14-O Céu de Suely (Karim Aïnouz, 2006)
15-Janela da Alma (João Jardim, 2001)
16-Boleiros (Ugo Giorgetti, 1997)
17-O Homem do Ano (José Henrique Fonseca, 2003)
18-Eu me lembro (Edgard Navarro, 2006)
19-Quase Dois Irmãos (Lúcia Murat, 2004)
20-Sábado (Ugo Giorgetti, 1995)
É uma pena que não tenha visto filmes como Santiago (João Moreira Salles, 2007), Proibido Proibir (Jorge Duran, 2006), O Baile Perfumado (Paulo Caldas e Lírio Ferreira, 2006), Abril Despedaçado (Walter Salles, 1996), Nós que aqui estamos e por vós esperamos (Marcelo Marzagão, 1998) entre outros que poderiam estar nesta lista.
Saturday, October 13, 2007
1977

Meu pai e o primogênito escolheram o Santos.
Ser corinthiano foi meu primeiro ato subversivo.
A Zelinha minha irmã naturalizada paulistana também foi subversiva no Natal de 77. Cúmplice minha irmã-madrinha ao me presentear com a peça de vestuário mais importante da minha vida.
Seguramente, ela não resistiu. A maior cidade do País - fustigada pelo Pacote de Abril e pela invasão covarde da PUC - arrancou as mordaças com bandeiras e gritos enlouquecidos naquela primavera. Era só futebol mas é como se fosse mais.
Osmar Santos fazia misérias na latinha, abastecendo a turba na Paulista, nos plantões das fábricas, nas celas ou nas vendinhas das favelas.
Quem resistiria compartilhar aquele sorriso da massa com um irmãozinho?
E foi assim que, diz a lenda, numa grande arara armada por um camelô na Sé, a Zelinha comprou uma alma para mim.
Aos três anos, ninguém gosta de ganhar roupa porque só adulto chato defende presentes pragmáticos para uma criança. Mas eis uma bela exceção. Gostei do desenho do timão e, diz a lenda familiar, que eu me recusei por dias a tirar o mantinho. Nunca mais troquei de roupa.
Dizem que isto é mentira e que a tal camisetinha foi devorada pelo tempo.
Mas acho que não, acho que agora a pecinha virou um porta-coração. Os dois são invisíveis mas estão lá, juntinhos e vitais. Não acho não, tenho certeza.
Quando o Betão deixou o título dos bambi sem graça - sinceramente qual é a graça de ganhar uma taça sem derrotar o Todo Poderoso? - vivi o júbilo dos grandes momentos e me lembrei da camisetinha, sempre a evitar que a bomba de sangue seja arremessada ao nada pela boca.
E lá vai o Timão, o ente superior com Betão ou Basílio, pulverizando tabus absurdos e apresentando a soma de todas as cores e a ausência absoluta delas como a dicotomia do orgulho.
E eu nem sei o que é viver sem ele.
A natureza também joga a favor e eu não me lembro de nenhum daqueles mil e cento e poucos dias em que eu não era corinthiano.
Tuesday, October 09, 2007
Lugar algum

Nem aqui,
nem no lado escuro da Lua,
e nem lá,
onde te levo em segredo absoluto,
e nem por aqui,
e nem no Mar da Tranqüilidade,
e nem lá,
lá naquele mirante psicodélico onde o mundo é maquete e você é gigante,
nem aqui,
na noite de insônia com portas rangendo,
nem acolá,
onde eu dublo meus pensamentos elevados com palavras tolas,
nem ali, onde me rasgo para que o meu mal jorre junto com o meu bem,
nem lá, no túnel de vento, onde eu descobri que meus delírios são firmes como chumbo,
nem aqui,
na radiola de cantos etéreos,
nem lá, na sacada onde eu tento inspirar o ar puro, puro mesmo, sem os preconceitos da pós-modernidade abafadiça,
nem ali,
nas fórmulas insondáveis desta química bipolar,
nem lá, onde eu brinco de deus e te dou eterno acalanto,
nem aqui.
Nem aqui.
Nem aqui,
na cabina da salvação, que me guarda das saraivadas do mundo, eu consigo abraçar a razão e cochichar com os olhos fechados um ''não me abandone'' muito bem pronunciado, de pé-de-orelha, assim como quem diz um basta enérgico para este dínamo passional tão sem sentido.
Thursday, October 04, 2007
O domingo do vizinho

Domingo tem Superclássico.
É uma partida válida pela décima terceira rodada (são 19) do Apertura.
O Independiente lidera com 25, o Boca, tem 23 e o Ríver (apenas o décimo colocado), tem 16 e tem chances não mais que remotas de conquistar o caneco.
Se o Boca vencer, elimina o River de vez.
Mas o River estará em seus domínios e quer ajudar o Independiente.
Pois bem, o mais emocionante clássico sul-americano se curvou ao rugby e não será mais disputado no tradicionalíssimo horário das 15 horas.
Foi adiantado para as 14 horas.
É que Los Pumas devem parar o país a partir das 16 horas.
O jogo é contra a Escócia em Saint Dennis. É eliminatório e dá uma vaga na semifinal da Copa do Mundo.
A imprensa francesa e britânica não param de elogiar o desempenho argentino e até já apostam em uma final com a favoritíssima Nova Zelândia.

Uma exibição de gala contra a Irlanda e entendeu-se que a incrível vitória sobre a França não havia sido um acidente dos anfitriões.
Até os All Blacks passaram a estudar o jogo dos zebrados.
Os vizinhos vão ter um domingo daqueles.
Das 14 às 18 horas as televisões estarão verdes de grama e alguém certamente será xingado de bolludo, feito os personagens da trilogia do Campanella.
Monday, October 01, 2007
Tô certo ou tô errado?
É, meu chapa, lá se vai um quarto de século!
Minha lista:

Das seis
1-Sinha Moça (Benedito Ruy Barbosa, 86)
2-A Gata Comeu (Ivany Ribeiro, 85)
3-História de Amor (Manoel Carlos, 95/96)
4-Felicidade (Manoel Carlos, 91/92)
5-Barriga de Aluguel (Glória Perez, 90/91)
Melhor atuação: Cláudia Abreu (a Clara, de Barriga de Aluguel)

Das sete
1-Vereda Tropical (Carlos Lombardi, 84/85)
2-Que Rei Sou Eu? (Cassiano Gabus Mendes, 89)
3-Ti ti ti (Cassiano Gabus Mendes, 85/86)
4-Cobras e Lagartos (João Emanuel Carneiro, 06)
5-Cambalacho (Sílvio de Abreu, 85/86)
Melhor atuação: Luiz Gustavo (o Ariclenes Martins – ou Victor Valentin – de Ti ti ti)

Das oito
1-Tancredo no Incor (85)
2- Collorgate (92)
3- Caso Pedrinho (04)
4- Crise Aérea (06/07)
5- Ocupação pelo Tupac Amaru da Embaixada do Japão em Lima (96/97)
Melhor atuação: Carlos Nascimento (acampado em frente ao Incor)

Das nove
1-Roque Santeiro (Dias Gomes, 85/86)
2-Vale Tudo (Gilberto Braga, 88)
3-Por amor (Manoel Carlos, 97/98)
4-Laços de Família (Manoel Carlos, 00)
5-Roda de Fogo (Lauro César Muniz, 86)
Melhor atuação: Renata Sorrah (Helena Hoitman, de Vale Tudo)

Das 10
1-Anos Dourados (Gilberto Braga, 86)
2-Anos Rebeldes (Gilberto Braga, 92)
3-JK (Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, 06)
4-Noivas de Copacabana (Dias Gomes, 92)
5-Desejo (Glória Perez, 90)
Melhor atuação: Malu Mader (Lurdinha, de Anos Dourados)
Minha lista:

Das seis
1-Sinha Moça (Benedito Ruy Barbosa, 86)
2-A Gata Comeu (Ivany Ribeiro, 85)
3-História de Amor (Manoel Carlos, 95/96)
4-Felicidade (Manoel Carlos, 91/92)
5-Barriga de Aluguel (Glória Perez, 90/91)
Melhor atuação: Cláudia Abreu (a Clara, de Barriga de Aluguel)

Das sete
1-Vereda Tropical (Carlos Lombardi, 84/85)
2-Que Rei Sou Eu? (Cassiano Gabus Mendes, 89)
3-Ti ti ti (Cassiano Gabus Mendes, 85/86)
4-Cobras e Lagartos (João Emanuel Carneiro, 06)
5-Cambalacho (Sílvio de Abreu, 85/86)
Melhor atuação: Luiz Gustavo (o Ariclenes Martins – ou Victor Valentin – de Ti ti ti)

Das oito
1-Tancredo no Incor (85)
2- Collorgate (92)
3- Caso Pedrinho (04)
4- Crise Aérea (06/07)
5- Ocupação pelo Tupac Amaru da Embaixada do Japão em Lima (96/97)
Melhor atuação: Carlos Nascimento (acampado em frente ao Incor)

Das nove
1-Roque Santeiro (Dias Gomes, 85/86)
2-Vale Tudo (Gilberto Braga, 88)
3-Por amor (Manoel Carlos, 97/98)
4-Laços de Família (Manoel Carlos, 00)
5-Roda de Fogo (Lauro César Muniz, 86)
Melhor atuação: Renata Sorrah (Helena Hoitman, de Vale Tudo)

Das 10
1-Anos Dourados (Gilberto Braga, 86)
2-Anos Rebeldes (Gilberto Braga, 92)
3-JK (Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, 06)
4-Noivas de Copacabana (Dias Gomes, 92)
5-Desejo (Glória Perez, 90)
Melhor atuação: Malu Mader (Lurdinha, de Anos Dourados)