Nem aqui,
nem no lado escuro da Lua,
e nem lá,
onde te levo em segredo absoluto,
e nem por aqui,
e nem no Mar da Tranqüilidade,
e nem lá,
lá naquele mirante psicodélico onde o mundo é maquete e você é gigante,
nem aqui,
na noite de insônia com portas rangendo,
nem acolá,
onde eu dublo meus pensamentos elevados com palavras tolas,
nem ali, onde me rasgo para que o meu mal jorre junto com o meu bem,
nem lá, no túnel de vento, onde eu descobri que meus delírios são firmes como chumbo,
nem aqui,
na radiola de cantos etéreos,
nem lá, na sacada onde eu tento inspirar o ar puro, puro mesmo, sem os preconceitos da pós-modernidade abafadiça,
nem ali,
nas fórmulas insondáveis desta química bipolar,
nem lá, onde eu brinco de deus e te dou eterno acalanto,
nem aqui.
Nem aqui.
Nem aqui,
na cabina da salvação, que me guarda das saraivadas do mundo, eu consigo abraçar a razão e cochichar com os olhos fechados um ''não me abandone'' muito bem pronunciado, de pé-de-orelha, assim como quem diz um basta enérgico para este dínamo passional tão sem sentido.
Beijos.