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This is the archive for December 2007

O passeio

O estrangeiro estava preparado.

Achava que estava preparado.

Iria.

Passeio no rincão que sugava suas raízes.

E o estrangeiro foi trocando passos imaginando que o que haveria de vir haveria de lhe acalmar.

Porque o estrangeiro, às vezes, se esquecia de que era estrangeiro.

Achava que tudo também era seu.

E saber que tudo era seu era o anestésico para todas as suas amputações.

E seus olhos estrangeiros sorriam.

Nos primeiros passos, abstraiu.

Como sempre, abstraiu.

Deus lhe deu uma janela e o estrangeiro abstraiu.

Viu aquários, quebrou os aquários. Porque o estrangeiro sabia que tudo era seu.

E se tudo era seu, tudo era livre.

Viu gaiolas com canarinhos pela janela de Deus.

E deu fuga aos bichinhos.

E os arranjos de rosa voltaram ao jardim e o garoto topou brincar com o avô e dos orfanatos e hospitais ouviam-se gargalhadas.

E de cinta-liga uma guria eterna lhe explicava como ter a virtude da paciência recompensada.

O estrangeiro trocava passos lentamente enquanto a janela despejava imagens coloridas numa projeção febril.

Banho de chuva, raspadinha na praia, mina vertendo e a brisa da montanha-corcova, e no salão os passos de dança tornavam todos os futuros promissores.

O estrangeiro ficou escravo da janela.

E ele achou que finalmente havia encontrado a terra natal.

Não era mais estrangeiro.

Parou de caminhar.

Sentou na grama. Deitou na grama. As vozes falavam sua língua. Aromas e sabores familiares.

E então seus olhos se fecharam.

A tempestade chegou.

A tempestade chegou.
E nada mais era abstrato.

O estrangeiro voltou a ser estrangeiro.

E correu. E nada mais o acalmava. Nada mais era seu.

De novo, a sina.

O estrangeiro não entendia o seu redor.

Estava, contudo, preparado.

Era áspero o seu rincão.
Sabia desde que havia descoberto a razão.
Áspero, o rincão.
Doce a janela.
Interminável o rincão.
Fugaz a janela.
Lição tão velha!

E o estrangeiro trocou os passos pela resignação.

Deitou na grama sem janela e sem Deus.

E engoliu a tempestade.

Encheu os olhos de cisco, se sujou na enxurrada barrenta.

Pois é.

Será sempre estrangeiro.
Sempre.

Porque o rincão que sugou suas raízes nunca será seu.
E ele nunca será livre.

Não é mais que um intruso tanto quando o mundo sangra como quando o mundo goza.

Apenas um estrangeiro que caminha sem saber onde é sua casa.

Sem saber se ela, de fato, existe.

Eu quero é botar meu bloco na rua

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A dor, a dor da humilhação, a dor da humilhação frívola e profunda, a dor daqueles que foram traídos ou ignorados.

Tudo isso passa.

Como descem à latrina todos estes clichês com as palavras ou expressões tais quais "reestruturar", "dar a volta por cima", como se com estes dirigentes vagabundos que apoiaram (ou se calaram) a Era Dualibi e depois foram chorar nos microfones...como se eles fossem capazes de comandar o Corinthians.

(Põe um Washington Olivetto, um Juca Kfouri, um Sócrates, um Casagrande, um Nelson Sato, um Fábio Galão, um Guilherme Gouveia, alguém decente naquela cadeira de presidente, porra. Não dá: o presidente da república é mais corinthiano que o presidente do Corinthians)

Mas eu vos digo o que não vai passar, caros.

Não vai passar nossa compulsão pela fantasia.

Não vão passar nossos clamores por decência e ousadia. Queremos ter de volta um grande time como o de 98/99, 95, 82/83, 79, 54/53/52/51, enfim... Um timaço do tamanho do Corinthians, um time para lutar por um título mundial de novo. Queremos as duas coisas. Não queremos mais torcida que faz conchavo com a diretoria. Não vão passar nossos clamores para não jogar mais no Morumbi (óbvio tem que jogar lá no Bambi’s Arena contra eles).

Vamos ter um estádio, porra. Um grandão, maior que o Bambi´s Arena e humilhantemente maior que o Pocilgão.

Um time com estádio, ct, técnico “jamaicano”, ou seja, de ponta, elenco também “jamaicano”, ou seja, de ponta. O Corinthians só será pleno de sua grandeza quando for ousado, quando entrar como favorito em todos os campeonatos.

Esta é a nossa angústia: vermos de novo nossa grandeza uniformizada de branco e preto e bola no pé.
***
Emergerá uma renovada Fiel após a Tragédia do Olímpico, caros.

Em 2008, a Fiel vai botar o corinthianismo na rua. Provar que é Fiel com f maísculo. Nunca se usará tanto o alvo manto, multidões alvinegras vão transitar pela cidade rumo ao Pacaembu. A casa entupida em todos os jogos. E os bares se encherão e os gritos se espalharão pelo céu do centro e o moço do 11b vai entender.

Mas aí é que eu digo.

- Vamos mergulhar nisso sem nenhuma garantia.
Isso já nos deixa com um princípio de revolta e tudo pode se agravar.

Digamos, Pacaembu estufado, ABC de Natal. Nem precisa dizer que tem que ganhar. Então... não vai ganhar todos os jogos em casa. Pode perder este, por exemplo. Talvez uns 70% dos jogos é garantido. Mas e os 30%? Vai ser um inferno. Um inferno.

Então, tem que ser um time bem superior aos outros para fazer uma campanha impecável e distrair a galera.

Isto é bem possível.

E se isso acontecer, o Corinthians volta à Série A com uma torcida ainda mais apaixonada.

Mas prestemos atenção à formação do time.

Hoje anunciaram o Lima.

Já não gostei.

Tome jeito, diretoria! Pressionem conselheiros!

Cadê a Gaviões?

Ô Corinthians vê se te orienta!