Rubem Braga
Fico imaginando o privilégio de alguém ler o texto abaixo ainda fresquinho, com o sol batendo no jornal naquela manhã dos anos dourados.

A moça
Líamos juntos um poema de Vinicius de Moraes. Esbarraste na palavra "báratro" e pronunciaste "barátro", perguntando: "o que é?" Eu corrigi tua pronúncia, mas não soube explicar o sentido exato: "é alguma coisa como oceano ou labirinto...Vamos ver no dicionário".
Era abismo, precipício, inferno. E rimos muito.
Depois eu te ensinei a teoria de dormir na rede, e te emprestei a palavra "ruivas" para ficar no teu poema no lugar de "fulvas". (Tratava-se de formigas).
Então eu te levei ao Arpoador e subimos até o alto. E te ofereci num gesto largo todo o oceano suas ilhas e todo o céu com seus ventos; porém, estavas triste; digna e triste como olvidada princesa belga.
E me disseste: "sou o anjo duvidoso". E eu disse: "que és anjo não tenho dúvida alguma, está na cara; mas duvidoso, talvez".
Bebias muita água; e trincavam nos dentes a pastilha da felicidade, invenção americana. Eu recusei: "não; é verdade que estou meio triste, mas não tem importância, é uma tristezinha maneira; vou tocando assim mesmo".
E fomos tocando pela tarde e pela noite, de um lado e outro, como se estivéssemos procurando uma pessoa amiga, uma pessoa que procurávamos há tanto tempo que já havíamos esquecido quem era mesmo. E não tinha importância. De repente ficaste mais amiga e me contaste coisas amargas. Eu mirei tua boca, teus olhos e tua testa com um profundo respeito.
Rio, junho, 1956
Ai de ti, Copacabana (Rubem Braga)

A moça
Líamos juntos um poema de Vinicius de Moraes. Esbarraste na palavra "báratro" e pronunciaste "barátro", perguntando: "o que é?" Eu corrigi tua pronúncia, mas não soube explicar o sentido exato: "é alguma coisa como oceano ou labirinto...Vamos ver no dicionário".
Era abismo, precipício, inferno. E rimos muito.
Depois eu te ensinei a teoria de dormir na rede, e te emprestei a palavra "ruivas" para ficar no teu poema no lugar de "fulvas". (Tratava-se de formigas).
Então eu te levei ao Arpoador e subimos até o alto. E te ofereci num gesto largo todo o oceano suas ilhas e todo o céu com seus ventos; porém, estavas triste; digna e triste como olvidada princesa belga.
E me disseste: "sou o anjo duvidoso". E eu disse: "que és anjo não tenho dúvida alguma, está na cara; mas duvidoso, talvez".
Bebias muita água; e trincavam nos dentes a pastilha da felicidade, invenção americana. Eu recusei: "não; é verdade que estou meio triste, mas não tem importância, é uma tristezinha maneira; vou tocando assim mesmo".
E fomos tocando pela tarde e pela noite, de um lado e outro, como se estivéssemos procurando uma pessoa amiga, uma pessoa que procurávamos há tanto tempo que já havíamos esquecido quem era mesmo. E não tinha importância. De repente ficaste mais amiga e me contaste coisas amargas. Eu mirei tua boca, teus olhos e tua testa com um profundo respeito.
Rio, junho, 1956
Ai de ti, Copacabana (Rubem Braga)
fechando os olhos dá para sentir a sensação do sol morno no rosto...
tô adorando chegar cedo na UEL, isso quando não vou dormir de madrugada, né?
vai no jogo do Tubarão amanhã??
Tuesday, March 04, 2008 21:09:59
Sílfide says:fechando os olhos dá para sentir a sensação do sol morno no rosto...
tô adorando chegar cedo na UEL, isso quando não vou dormir de madrugada, né?
vai no jogo do Tubarão amanhã??
beijão
Tuesday, March 04, 2008 21:10:49