passageiras agonias

Vertigem

Pés pequenos, os seus.

Quanto mais trouxesse você pra mim, mais nossos passos ficariam sem direção.

Para ter tudo o que quisesse na vida eu precisaria mais de você, assim mais pertinho, nem que isso fosse fonte de desequilíbrio.

E quando os meus pés igualmente pequenos fossem tocados pelos seus, meu coração tropeçaria junto e meus braços se converteriam em borracha.

Seria presente meu aquela vertigem boa.

Você retribuia com socos malcriados enquanto eu respirava um renovo que extravasaria do seu olhar de alívio.

E agarraria na sua mão indócil para que a protagonista não fugisse do cenário. Ora.

Montei um mundo pra você, queria você nele.

Sem tropeços e sem fugas.

E quando você fosse guinchada por um motor de curiosidade, quando minha mão parecesse hostil de tanta ansiedade, você inexplicavelmente cederia.

Fitaria seus olhos como quem pudesse fazer o silêncio falar.

Não saberia responder aonde estávamos indo.

Seria mais confortável não saber.

No caminho, a gente descobriria coisa mais importante, a coisa mais vital.

Descobriria.

Publicado em 11 de agosto de 2008 às 22:42 por playmobil

Comentários

    • Que caralho de texto, meu! Se um dia alguém (olha aí a dica, mestrandos de Letras da UEL e adjacências) se dispuser a compilar os melhores posts do Tipos, este com certeza estará na antologia!
    • por Olhêro
    • 11.Ago.2008 às 23:34 - Permalink - Reportar
    Olhêro
    • Este e todos os outros desse blog. Lucio, como sempre foi magistral. Fez mais lírico o meu dia. Abração.
    • por silvia -
    • 12.Ago.2008 às 10:50 - Permalink - Reportar
    silvia -
  1. maven
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