Pés pequenos, os seus.
Quanto mais trouxesse você pra mim, mais nossos passos ficariam sem direção.
Para ter tudo o que quisesse na vida eu precisaria mais de você, assim mais pertinho, nem que isso fosse fonte de desequilíbrio.
E quando os meus pés igualmente pequenos fossem tocados pelos seus, meu coração tropeçaria junto e meus braços se converteriam em borracha.
Seria presente meu aquela vertigem boa.
Você retribuia com socos malcriados enquanto eu respirava um renovo que extravasaria do seu olhar de alívio.
E agarraria na sua mão indócil para que a protagonista não fugisse do cenário. Ora.
Montei um mundo pra você, queria você nele.
Sem tropeços e sem fugas.
E quando você fosse guinchada por um motor de curiosidade, quando minha mão parecesse hostil de tanta ansiedade, você inexplicavelmente cederia.
Fitaria seus olhos como quem pudesse fazer o silêncio falar.
Não saberia responder aonde estávamos indo.
Seria mais confortável não saber.
No caminho, a gente descobriria coisa mais importante, a coisa mais vital.
Descobriria.
Publicado em 11 de agosto de 2008 às 22:42 por playmobil